O meu post de estreia pega em duas coisas que me são caras. O primeiro é o criacionismo, com o qual me divirto imenso. O segundo é o blogue Que Treta! Os criacionistas Mats e Sabino têm vindo a dizer que a ciência não pode descobrir Deus porque se atém ao “Naturalismo”. O Ludwig Kripphal deu uma resposta convincente mas que eu gostaria de complementar.

A noção de “Naturalismo” dos criacionistas remete para um texto fundador do Jónatas Machado. Segundo o Jónatas, a ciência parte do princípio de que o mundo funciona segundo processos naturais. O axioma exclui à partida Deus da equação e por isso todas as suas acções são reinterpretadas como fenómenos naturais. A explicação parece complexa e subtil; na verdade, há aqui muita confusão e desonestidade.

Será mesmo verdade que a ciência exclui Deus das explicações? O JM tem razão quando diz que, à partida, Deus não aparece nas equações. Da mesma forma que os duendes verdes, Thor, o Vale e Azevedo ou a contracção do espaço-tempo. Os cientistas não assumem que o Universo foi criado por Deus, tal como não assumem que foi criado pelo Vale e Azevedo. Com tantas possibilidades, nunca mais saíamos da pura especulação.

Mas isto não implica a sua exclusão da explicação. A exclusão de Deus é de facto um ponto de partida mas de forma alguma um axioma inamovível. Se houvesse observações directas de um Deus a ter criado o Universo, é óbvio que a ciência teria de o incorporar numa explicação da origem do Universo. Tal como teve de incorporar noções como a curvatura do espaço-tempo ou os quarks quando estes factores encaixaram bem nas explicações – tudo coisas que eram sobrenaturais até essa altura mas que rapidamente deixaram de o ser.

Na verdade, isto é mais óbvio do que parece. Suponhamos que o João é fulminado por um raio. A explicação mais óbvia reside apenas na má sorte de ter estado no sítio errado à hora errada. Mas se descobrirmos que o José tinha criado uma máquina terrível de controlo dos campos electromagnéticos que lhe permite manipular os relâmpagos, é perfeitamente razoável aceitar essa explicação. Os médicos legistas estão habituados a isso, quando descobrem que uma morte por causas naturais se trata, afinal, de suicídio. O princípio é o mesmo: perceber que por trás de um acontecimento aparentemente natural e não intentado se esconde uma mão bem humana. Não é preciso saltar de paradigma.

O problema dos criacionistas é que propõem uma explicação tão minuciosamente recortada que se torna impossível de avaliar pelos dados disponíveis. Os criacionistas dizem que Deus é omnipotente, proíbe a homossexualidade e teve um filho chamado Jesus. Mas, mesmo que haja um vídeo a mostrar a criação do mundo por um ser poderoso, daí apenas poderemos depreender que ele é poderoso e criou o mundo. E, por essa descrição, tanto pode ser Alá como Odin. No fundo, o que os criacionistas pedem é que da existência de arsénico no copo da vítima se deduza que o assassino foi o Joaquim Otávio, que calça 45 e é fanático pelo Oliveirense.

PR

A distinção entre Esquerda e Direita na política vem dos Estados Gerais Franceses de finais do século XVIII, em plena revolução. Na primeira sessão dessas reuniões, que serviriam para delinear a futura Constituição do país, deu-se isto: o rei sentou-se ao centro, numa plataforma elevada em relação aos restantes elementos; à sua direita ficaram as altas figuras do clero e da nobreza, bem como alguns – poucos – burgueses mais tradicionalistas; à esquerda os revolucionários (socialistas e liberais), muitos burgueses e alguns nobres. Em frente ao rei, ou seja, em posição mais moderada e central, ficaram o grosso dos burgueses, boa parte da nobreza e membros da base hierárquica do clero. Tudo isto foi, com o tempo, sujeito a alterações, entre as quais uma movimentação para a Direita de nobres, clero e liberais, bem como uma radicalização dos socialistas. Mas foi esta a disposição que ficou famosa na Europa e gerou a divisão de que ainda hoje se fala: entre Esquerda e Direita.

Nesse início histórico havia algumas características claramente distintivas: 1) uma ideia de continuidade e de progresso com base na tradição por parte da direita, a que se opunha o plano racional e científico da esquerda iluminista (aqui entra também a tal distinção entre antiutopismo e utopismo); 2) a sobreposição da fé em relação à Razão, pela direita, e a sobrevalorização da Razão em detrimento da fé, pela esquerda; 3) a preferência basista da esquerda, em contraste com o elitismo da direita; 4) como consequência disso, a defesa da liberdade pela esquerda; 5) e o optimismo dessa mesma esquerda, que concebia um mundo harmonioso após a abolição dos feudos, que contrastava com o pessimismo antropológico de uma direita inspirada pela religião, pela tradição judaico-cristã e pela ideia de pecado original e da expiação humana.

Muito mudou desde então, claro, mas nem por isso se deve concluir pela inanidade desta taxinomia – que mantém muita da sua utilidade -, sob pena de não se estudar padrões ideológicos que se mantêm ainda hoje, mesmo que menos vincadamente distintivos. No entender de Norberto Bobbio (aqui), por exemplo, deve procurar-se a Esquerda e a Direita na atitude de ambas face ao ideal da igualdade. E no ideal de justiça social associado à igualdade, concluo. Acredito que há uma distinção fundamental a fazer, no que respeita à igualdade: a Esquerda procura a liberdade na igualdade; a Direita procura a igualdade na liberdade. Significa isto que a igualdade é, para a Esquerda, sempre material (não se trata aqui apenas do igualitarismo comunista, puro e duro, mas também de práticas políticas tendencialmente niveladoras, socialistas), ao passo que para a Direita a igualdade é uma igualdade de direitos, uma igualdade perante a lei.

De facto o fascismo, o nazismo e o neoconservadorismo vieram baralhar as contas à distinção – antes certa – entre optimistas (utopistas) e pessimistas (antiutopistas) antropológicos, os primeiros situados na Esquerda e os segundos na Direita. Uma Direita que é essencialmente conservadora, tradicionalista – não confundir com antiprogressista -, contrária ao militantismo e à coerção. Oakeshott é um dos expoentes dessa tradição política: «Ser conservador é preferir o familiar ao desconhecido, preferir o experimentado ao não experimentado, o facto ao mistério, o real ao possível, o limitado ao ilimitado, o próximo ao distante, o suficiente ao demasiado abundante, o conveniente ao perfeito». Mas o fascismo, o nazismo e o neoconservadorismo são alinhados à Direita pela centralidade da moralidade transcendente (de novo a fé sobreposta à Razão) nessas ideologias. Se o fascismo é um fenómeno nacionalista, o nazismo e o neoconservadorismo são internacionalistas. Portanto, também há utopismo e internacionalismo à Direita.

Mas estas são, reconheçamos, tendências recentes (datadas do século XX) que resultam de a Esquerda e a Direita não serem dois pólos impenetráveis e incomunicáveis. Socialismo e conservadorismo contêm traços particularmente distintivos de pessimismo e optimismo quanto ao Homem e à sua evolução histórica. Jaime Nogueira Pinto encontra a raiz dessa diferença em Rousseau e Hobbes – isto é, na ideia da bondade natural humana vs. a ideia de que, em estado natural, o Homem viveria em permanente guerra.

RPR

Os estudiosos do pensamento político divergem em muitos pontos, mas concordam em que há alguns traços essenciais que distinguem esquerda e direita. Um deles é o anti-elitismo da esquerda, resultante da sua origem plebeia e burguesa, que contrasta com a aceitação da ordem hierárquica pela direita (coisa para ter influência judaico-cristã). A esquerda procura então um nivelamento social e económico; a direita é menos sensível ao canto de sereia da igualdade de condições materiais e concentra-se na defesa de uma igualdade de direitos e de oportunidades universal.

O esbatimento de barreiras sociais e a protecção especial aos mais desfavorecidos aparenta ter um efeito particularmente pernicioso: consolida as hierarquias sociais preexistentes, ainda que as torne menos vincadas. Por exemplo na educação, a defesa de uma igualdade de circunstâncias para todos leva a esquerda a rejeitar o cheque-ensino e a liberdade de escolha da escola por parte dos pais (em Portugal o critério para atribuição de escola é a localização da habitação ou do local de trabalho dos pais).

O argumento é este: ainda que ele permitisse o pagamento da educação numa qualquer escola ‘normal’, o cheque-ensino seria complementado com mais dinheiro pelos mais ricos, o que geraria desigualdades e escolas de elite; a escolha da escola pelos pais teria o mesmo efeito, porque o critério de atribuição seria o mérito do estudante e os filhos de papás ricos são geralmente mais inteligentes do que os pobres. Como se tudo isto fosse linear.

Mas imaginemos que é. Ficamos então com o actual sistema em que há duas alternativas: ou entregar um filho ao ensino público, já pago através dos impostos; ou pagar a sua educação duplamente, caso se o queira colocar no ensino privado. Por um lado, isto evidencia a preferência pela igualdade de condições em detrimento da igualdade de oportunidades; por outro ataca a promoção do mérito e restringe a possibilidade de mobilidade social.

Como escrevi acima, o outro efeito é um contrasenso ideológico: todos os mais desfavorecidos terão as mesmas oportunidades, ficarão nivelados; os mais abastados poderão pagar uma educação melhor, mais consentânea com as suas aspirações. Não só continuará a haver elites como, o que – isso sim – é grave, elas serão as mesmas de sempre.

(Segue-se um exemplo da treta.) Imaginemos que há, no campeonato português de basquetebol, 100 jogadores com altura entre 1m85 e 2m e outros 100 entre 1m75 e 1m85. Naturalmente, estes últimos terão mais dificuldade em alcançar as bolas altas contra adversários mais altos. O que a direita propõe é que seja permitido aos mais baixos competir com os mais altos, pois talvez desenvolvam outras capacidades úteis – como uma maior impulsão, um maior desenvolvimento físico ou maior habilidade nos lançamentos ao cesto – e atinjam o seu nível.

A esquerda rejeita essa hipótese, dizendo que isso acabaria por prejudicar a maioria dos mais baixos em favor dos mais altos. Por isso elimina esse campeonato misto e cria dois: um para jogadores entre 1m75 e 1m85, outro para jogadores entre 1m85 e 2m. Assim estarão nivelados e todos ficarão felizes. Bem, talvez não, porque os mais baixos vão sentir-se inferiores (juro que esta não é trocadilho). E pior: não lhes será dada a possibilidade de tentar bater os maiores. Hayek escreveu (em The Constitution of Liberty) que o móbil da esquerda igualitarista é o apaziguamento da inveja. Não quis fazer disso argumento, mas receio que a inveja resulte maior da política de esquerda do que da de direita.

RPR (this is turning rather one-sided, m’lord)

[…] Uma religião cristã não admite a possibilidade de Jesus ter sido apenas um homem porque Jesus ser um deus é a premissa base destas religiões. E essa é uma certeza ao contrário. Em vez ser o ponto final do acumular de evidências, surgindo quando já não adianta reunir mais, a certeza religiosa é o ponto de partida. E dizem-na irrefutável, o que, em qualquer outro contexto, todos considerariam arrogante. A justificação que dão é que as religiões têm acesso a fontes infalíveis. Só que a fonte infalível de cada religião contradiz as fontes infalíveis das outras, pelo que raramente se entendem. E há um problema mais subtil. É que só podemos ter confiança absoluta numa fonte que supomos infalível se assumirmos que também somos infalíveis a identificar e interpretar tais fontes. E isto é presunção a mais.  […]

Ludwig Krippahl

A Priscila acaba de ir à sua antiga residência despejar sete textículos (pim, pim, pim, pim, pim, pim, pim). Tudo porque não lhe dei a chave desta nossa casa. Só para ela saber quem manda. (E ontem este belíssimo blogue contou 0 visitas. Digno de registo.)

RPR

O liberalismo não é uma doutrina política, social ou económica. Não é uma ideologia, na medida em que o pensamento liberal não conflui, não é uno. Trata-se de uma filosofia política ou, se quisermos abichanar isto, um modo de estar e de pensar. Não há um Marx, um Engels, um Lenine ou um Mao no liberalismo; Locke e Smith não prescreveram medicamentos para a maleita social. As escolas austríaca e de Chicago enveredaram por caminhos diferentes, aqui e ali complementares, aqui e ali divergentes. Teorias políticas de inspiração liberal são muitas e muitas delas são divergentes.

João Cardoso Rosas diz que o liberalismo é de esquerda porque em França os revolucionários do século XVIII tanto eram apelidados de socialistas como de liberais e combatiam os conservadores, os monárquicos. A Europa não é só continental e no Reino Unido houve, antes da Revolução Francesa, uma revolução política inspirada no pensamento de um liberal: Locke. Mas essa revolução não foi anti-monárquica; apenas pugnou por uma maior abertura do sistema político ao povo e pelo reforço dos direitos dos cidadãos. O liberalismo não é, portanto, anti-monárquico. Não é nem deixa de ser. Liberalismo é liberalismo.

Em França, diga-se, foi o terror jacobino (e a sua inspiração em alguns filósofos franceses e alemães) que formou uma barreira entre socialistas e liberais. Mas nada disto é líquido: foram estes liberais que assim se denominaram e demarcaram da repressão e do utopismo desses socialistas. Os diferentes conceitos de “liberdade” e de igualdade distanciavam socialistas e liberais. Uns beberam mais de Locke e de Madison; outros preferiram Rousseau e Fichte.

Tudo seria mais simples se a História dos vários países europeus fosse homogénea e se os termos “liberdade” e “liberalismo” não fossem moldados de acordo com as várias filosofias políticas e de acordo com a evolução cultural dos países. É por isso preciso refrear tudo aquilo que venha simplificar o que não pode ser simplificado, sob pena de se criar em vez de encontrar traços distintivos. Mas tudo isto ainda é para mim algo nebuloso, confesso. Ainda assim adocica a leitura disto.

RPR (a PR não escreve porque passa a vida na cozinha)

Por muito indefinido que pareça o Bloco de Esquerda por comparação ao PS e ao PCP (será social-democrata? Será autoritário e populista?), parecem-me perigosas expressões como a de Vasco Pulido Valente sobre «a existência em Portugal (ou seja, na Europa do Ocidente) de dois partidos da extrema-esquerda, ainda largamente inspirados na doutrina ortodoxa do marxismo-leninismo de meados do século passado» (Público, 11/07). Aqui valho-me de um outro texto publicado no Público, por André Freire em 19/01:

[...] Luke March define os partidos esquerdistas (far left) como aqueles que se definem a si mesmos como estando “para a esquerda”, e não apenas “à esquerda”, dos socialdemocratas, os quais consideram não serem suficientemente de esquerda ou serem sequer de esquerda. E separa-os em duas grandes categorias. Primeiro, os “partidos da esquerda radical”: defendem mudanças radicais no sistema capitalista. Embora muitas vezes designados por “extremistas” pelos seus opositores, aceitam a democracia, embora combinem tal aceitação com aspirações “muitas vezes vagas” no sentido da democracia participativa. O seu “anticapitalismo” envolve fundamentalmente uma oposição à globalização neoliberal associada ao “consenso de Washington” (liberalização do comércio, mercadorização da sociedade, privatizações, etc.), mas já não defendem uma economia planificada, antes uma economia mista. A esmagadora maioria inclui-se neste grupo: 18 em 24 partidos da UE, Islândia e Noruega. Segundo, os “partidos da extrema-esquerda” (6 em 24) são aqueles que têm maior hostilidade à democracia liberal, renunciam usualmente a qualquer compromisso com os “partidos burgueses”, incluindo os social-democratas, enfatizam as lutas extraparlamentares e o seu “anticapitalismo” é bastante mais profundo do que o do grupo anterior. [...]

Esta parece-me uma base mais sólida para compreender BE e PCP, cada qual no seu galho.

RPR

Escreve Rui Bebiano sobre fascismo e comunismo que «se, no plano dos princípios, o primeiro é essencialmente elitista e agressivo, o segundo é – nos fundamentos, não na lógica grotesca dos regimes e dos partidos que perverteram a sua raiz utópica – estruturalmente igualitário e fraterno». Portanto, o problema do fascismo (englobemos neste saco os casos italiano, alemão, espanhol, português e grego) está na ideologia, mas o do comunismo tem estado na sua aplicação (e este saco, convenhamos, tem de ser maior). Vou ter de discordar.

Antes de mais, há o pormenor revelado por Hayek de que o fascismo emergiu a partir do comunismo, foi criado e engrossado sobretudo por ex-comunistas. Ademais, em vários países o fascismo ascendeu socialmente como reacção à discricionariedade do poder das cúpulas sindicais, um legado comunista. Um e outro não são, claro, duas faces da mesma moeda: as respectivas bases de apoio divergem. Mas o fulcro de ambas as ideologias é o mesmo: a crença inabalável num plano racional de libertação humana, plano esse cujos efeitos só serão perfeitamente visíveis depois da sua aplicação plena. Até lá, quem quer que se faça obstáculo à sua concretização ou será expulso ou não terá muita saudinha.

O comunismo é o seguidor radical do jacobinismo no sentido de que não olha a meios para atingir o seu fim, a sua Utopia. Não se trata de apenas mais uma ideologia, com aplicação variável de acordo com o contexto. No Manifesto Comunista, Marx e Engels apresentam o comunismo como «o enigma da História resolvido». Mas se queremos ter uma melhor noção do que está em jogo – um plano de acção política que visa moldar o Homem, independentemente de este querer ou não ser moldado -, estas palavras de Trótski podem ajudar: «O Homem tornar-se-á incomensuravelmente mais forte, mais sábio e mais subtil; o seu corpo tornar-se-á mais harmónico, os seus movimentos mais rítmicos, a sua voz mais musical. As formas de vida tornar-se-ão dinamicamente dramáticas. O tipo do homem médio elevar-se-á à altura de um Aristóteles, de um Goethe, de um Marx. E acima desta cordilheira elevar-se-ão novos picos».

Em todos os regimes comunistas até hoje implantados houve julgamentos-espectáculo, prisões em massa e polícia secreta. A militarização do lazer infantil (Mocidade Portuguesa é um exemplo) foi inventada por comunistas, não por fascistas. O forte investimento na biologia, nas experiências científicas com pessoas, marcou o regime soviético. Já nem quero tocar nos números dos mortos de ambas as ideologias, que é por onde costuma pegar quem ataca o comunismo. Se quisermos afastar a ideia de que o comunismo é uma coisa como ideologia e tem sido outra na prática temos de procurar traços de radicalismo e desumanidade na ideologia.

RPR

Por muito que estes ladrões atirem os trinta anos gloriosos à parede, e assim procurem legitimar o reforço do Estado Social com um apertar da actividade económica privada, a verdade é que foi o tal neoliberalismo de que se queixam até à náusea que enformou as linhas políticas dos principais partidos do ocidente europeu – britânicos, italianos, franceses, alemães, portugueses, espanhóis. O tempo em que líderes como Mário Soares e François Mitterrand eram aclamados pelos socialistas já lá vai: o socialismo abandonou a parte produtiva da economia, entregou-a aos privados e refugiou-se apenas na redistribuição. Nisso não se distingue fundamentalmente da direita conservadora. Onde se distingue é nos pós-materialismos, mas esses em contexto de crise pouco contam.

RPR

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